Notícias de Crato, Ceará.

Cratenses de 10 a 19 anos são vítimas de 42 assassinatos

Nos últimos quatro anos, 42 meninos com idade entre 10 e 19 anos foram assassinados em Crato | Foto: http://cadavidaimporta.com.br/

Robson Roque - Título adaptado do texto original publicado na edição desta semana do Jornal do Cariri, que pode ser conferida neste link.

Nos últimos quatro anos 170 adolescentes e jovens com idade entre 10 e 19 anos foram assassinados em Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha. Os dados fazem parte de uma pesquisa que inicialmente envolveu Fortaleza, Juazeiro e outras cinco cidades do Ceará. Uma saída apontada para a redução da violência entre jovens é a efetivação de políticas públicas que abra portas para as pessoas nesta faixa etária.

O estudo organizado pelo Comitê Cearense pela Prevenção de Homicídios na Adolescência analisou sete cidades do Ceará. No Cariri, apenas Juazeiro do Norte foi incluído. A pesquisa apontou que metade dos jovens foi morta a cerca de 500 metros do local onde moravam. Outros dados verificados surpreendem. Mais de 70% dos adolescentes assassinados em 2015 estavam fora da escola há pelo menos seis meses. “Um enredo de exclusão que se repete com seus irmãos, primos e amigos”, afirma o comitê.

As armas de fogo têm importância fundamental nos homicídios de adolescentes. Em Horizonte, todos os crimes de morte contra jovens tiveram em comum o uso de arma de fogo. Esse percentual ultrapassa 80% em Juazeiro. Uma informação em particular preocupa: em praticamente metade das cidades, nenhuma pessoa foi detida ou presa, “o que cria um contexto de impunidade e repetição de crimes”. A pesquisa também apontou um perfil de vítimas: jovem, negro, pobre e morador da periferia.

Para o deputado estadual Renato Roseno (PSOL), que debateu a temática em encontros na região no final de semana, é preciso compreender que o problema da segurança pública não depende somente de ações do governo.

“Toda proposta de segurança dos governos é uma proposta repressiva depois que a violência se instala”, avalia o deputado. “As mortes, sobretudo as dos jovens, são mortes previsíveis e previníveis. É preciso qualificar o trabalho do policial com a investigação e estimular a promoção à alternativas de vida e de prevenção a essa violência”.

O parlamentar enfatiza a necessidade de serem criadas políticas públicas especializadas na juventude, principalmente na faixa compreendida entre 12 a 18 anos. “Porque o adolescente se envolve com grupos armados?”, questiona o parlamentar para responder em seguida: “porque lhe falta outra porta aberta e a porta aberta que ele tem é a porta do grupo armado. Temos que abrir portas para esses adolescentes.

Na opinião do professor Antonio Santos, do curso de Ciências Sociais da Universidade Regional do Cariri, a região tem passado por um momento de interiorização da violência. “Isso é um fato que acontece quando a violência se difunde, sai dos grandes polos como Fortaleza e acaba se diluindo em pequenas cidades do interior”, explica o professor ao acrescentar que isto acarreta no aumento do número de mortes entre os jovens e a juventude como protagonista de crimes como assaltos e homicídios.

Crajubar

Em Crato, Juazeiro e Barbalha a principal vítima é do sexo masculino: foram mortos 164 homens e seis mulheres (três cratenses e três juazeirenses) entre 2014 a abril de 2018. Juazeiro do Norte é o município com mais vítimas: 118, contra 42 em Crato e 10 em Barbalha.

Os dados, contudo, apresentam uma redução dos assassinatos ao passar dos anos. Na primeira análise feita, com registros de 2014, as três cidades somavam 49 homicídios. Em 2015 este número reduziu para 41 e para 33 e 32 nos anos seguintes. De janeiro a abril deste ano nove pessoas entre 10 a 18 anos foram vítimas de homicídio no Crajubar – todas do sexo masculino.


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