Notícias de Crato, Ceará.

Huberto Cabral | Cratenses que você deveria conhecer #3

Por Rafael Pereira

“Desde que me entendo de gente que, atento, observo a participação constante de Huberto Cabral nas movimentações sociais, culturais e patrióticas do Crato. Possuidor de um civismo a toda prova, Cabral faz do rádio sua praia de predileção, sem, no entanto, esquecer permanências pelos jornais, revistas, livros, cerimônias coletivas, etc.”, escreve Emerson Monteiro.

As palavras são uma pequena parte desse personagem que é considerado por muitos uma verdadeira enciclopédia ambulante. Para melhor entender: um homem que sabe tudo do Crato e da Região. “Bondade do povo” essa é a sua resposta carregada de uma modéstia que o impede de falar de si mesmo ao ser perguntado se ele é de fato um “monge da notícia”, como muitos falam.

Com seus mais de 65 anos dedicados ao jornalismo, Cabral, nesse meio século, viu como testemunha ocular a história passar pelo Cariri. Sabe de cor todos os fatos importantes, contando data e até a hora. Parece um pouco exagero, mas ao conversar para essa matéria ele contou os principais fatos importantes da região e do Crato. Para isso ele é jornalista, memorialista e historiador.

Huberto Cabral | Foto: Wagner Pereira


Começa cedo como estudante do Seminário São José, escrevendo para os jornais diocesanos ‘O Levita’ e ‘A Ação’. Em seguida fez carreira no rádio na antiga Amplificadora Cratense, que era um serviço de 30 autofalantes espalhados na cidade. Até que chegou à Rádio Araripe, à época como primeira do interior do Ceará que fazia parte dos Diários Associados de Assis Chateaubriand (paraibano e que foi dono do maior império das comunicações da América Latina).

Durante muitos anos contribuiu no esporte tanto na Araripe quanto na Rádio Educadora do Cariri, na qual está ainda hoje. Já foi correspondente dos jornais O Povo e Diário do Nordeste e é um grande cerimonialista de eventos públicos da cidade.

E os fatos importantes? Certo. Ok, vamos lá. 

Participou de comitê que viu inaugurar a primeira transmissão de energia para o Cariri da usina de Paulo Afonso. Instalação da antiga Faculdade de Filosofia (hoje URCA). Fez a cobertura da visita do então presidente Castelo Branco ao Crato onde nesse dia se arriscou para conseguir uma entrevista exclusiva e a sós no avião com o presidente, que fizera pouso no antigo Aeroporto de Fátima (chapada do Araripe).

Acompanha e faz cerimonial, desde sua fundação, da Expocrato. Fez os primeiros experimentos para transmissão de uma TV no Cariri, ainda na década de 60. Enfim, são tantos os fatos de que ele participou e são tantas as histórias que ele tem a contar que nem mesmo há tempo de dizer. Mas mesmo quando não estava presente neles, sabe de histórias como da Confederação do Equador que teve Bárbara de Alencar e seus filhos como pioneiros.

Confira outras edições:
#1 - Verônica Carvalho
#2 - Padre Ágio

Também narra, com todas as letras, a construção da usina hidrelétrica da nascente, que abastecia a cidade, como primeiro fato revolucionário e engenhoso do interior do Ceará, lá pelos idos de 1930.
Vemos Cabral andar (às vezes apressado) pelas ruas do Crato com uma pilha de jornais e outros papéis debaixo do braço.

Sujeito de expressões tranquilas e feições que a idade o denúncia, mas carrega nos gestos de ser e de falar todos os repertórios da história do Crato e do Cariri onde acompanhou pela vida. Ele ainda não abriu mão do tempo e escreve insistentemente suas noticias em uma máquina de escrever. Perguntado sobre isso ele diz despreocupado que gosta, e nunca aprendeu usar computador.

Vai escrever um livro?

Indagado se pretende escrever um livro, mais uma vez sua modéstia entra em ação: “Se for, vai ser coisa minha mesmo”. E se escrevesse sobre o que seria? Ele responde emenda: “Não, não. São ‘N’ assuntos”.

“É uma terapia ocupacional”, é assim que ele se refere sobre ainda estar nessa atividade, algo que ele pretende fazer, como se cada dia fosse o primeiro, e como uma maneira de bem-estar para a velhice.
Perguntado mais uma vez de qual foi a sua melhor matéria, ele diz, sem muito se lembrar, de que foram muitos os acontecimentos importantes.

Por fim acrescenta que, seja em cerimoniais ou notícias: “A gente faz sempre com esperanças de progresso e desenvolvimento do Crato que é o que todos nós desejamos”.

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