Notícias de Crato, Ceará.

Crato é líder em violência contra mulheres no Cariri


O município do Crato lidera os casos de violência contra mulheres na região do Cariri, conforme dados do Observatório da Violência e dos Direitos Humanos, da Universidade Regional do Cariri (URCA) e outros coletados diretamente na Delegacia de Defesa da Mulher.  Em contra partida, ONGs e o poder público atuam para coibir tal prática, na maioria das vezes por meio da coerção, esquecendo-se, por exemplo, de educar crianças em relação ao tema.

Segundo os dados apresentados pelo observatório, foram notificados 1.372 casos de violência de gênero na região do Cariri cearense, na qual a cidade do Crato lidera com 9,16 notificações para cada mil mulheres. A coleta é feita por bolsistas de Direito da URCA a partir de boletins de ocorrência, notificações e prontuários médicos. Esse número pode ser ainda maior, visto que muitas mulheres ainda não denunciam seus agressores.

Recentemente o movimento de mulheres promoveu atos em Crato contra a cultura do estupro
Foto: Cariri Revista
Depois de Crato, Juazeiro do Norte registrou média de 5,87 casos, e Barbalha 0,49. A média do triângulo CraJuBar é de 3,39, muito próxima ao divulgado no Mapa da Violência de 2015 com dados de todo o país, cujo índice é de 4,1 atendimentos médicos ou em delegacias para cada mil mulheres. “São dados que nos fazem refletir como nossa situação de violência na região é alarmante”, comenta a professora Grayce Albuquerque, coordenadora do Observatório.

Perfis de vítimas e agressores

A maioria das mulheres vítimas da violência é formada por jovens entre 18 a 35 anos, seguidas por aquelas com idade superior aos 59 anos. Os agressores, por sua vez, são parceiros ou ex-parceiros, que insistem em acreditar serem donos da mulher, uma das principais causas apontadas por elas, ou seja, a questão de posse.

O seio familiar é o principal local onde a violência é praticada, geralmente durante a noite ou pela madrugada. É nesse horário também que as Delegacias de Defesa da Mulher estão fechadas, o que reflete uma possibilidade urgente e clara de mudança em defesa do gênero feminino.

Os principais agressores são homens jovens e, conforme constatou a coleta, na maioria das vezes estão embriagados, o que aponta estreita relação entre violência doméstica e álcool ou drogas. Por fim, a maior parcela das mulheres vítimas é da zona urbana e os tipos de violência mais frequentes são ameaças, violência psicológica e física como o espancamento.



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