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Preocupação: Fachadas históricas do Crato estão desaparecendo | Especial #1

"Casino Sul Americano" na Praça Siqueira Campos | Foto: Rafael Pereira - Crato Em Foco
As fachadas de prédios históricos do Crato carregam bastante historia de épocas antigas que são constantemente relembrados pelos nossos avós e antepassados. Muitos são os casarões onde o tempo parece ter parado e lembra a nostalgia de pessoas que viveram no século passado. As fachadas não só representam um período, elas possuem um estilo de arte presente que não é daqui mas são cópias de um período que valorizava a cultura europeia, especialmente francesa, com a Art Nouveau ou a Belle Époque. São estilos arquitetônicos não de ‘gente formada’, mas de antigos mestres, um ofício passado de gerações. Mas isso está aos poucos sendo destruído com o passar dos anos perdendo para a modernidade.

O que acontece é que os próprios proprietários desses casarões estão “tombando” por conta própria não só as fachadas, como os próprios prédios. Por onde passamos, seja no Centro e nas dependências da cidade e do município, vemos os moradores fazerem sua própria reforma raspando a fachada antiga, retirando e descaracterizando, substituindo para o moderno que é liso e sem detalhes. 
Prédio na Rua Miguel Limaverde é um dos poucos que resistem | Foto: Rafael Pereira - Crato Em Foco

Este é um problema e uma preocupação vivida a cada dia por Rick Seabra, diretor do museu do Crato, que já apresentou projeto de lei que visa a preservação e a recuperação das casas históricas da cidade. Americano de nascimento, veio para terras cratenses, após uma carga de experiências de trabalhos em recuperação do patrimônio histórico e artístico no Brasil e no mundo, tentar se consegue fazer isso por aqui.  

A apresentação para um projeto de lei já foi enviada ao legislativo onde foi muito bem apreciada pelos vereadores, mas não foi dada continuidade no executivo municipal por mexer em um problema ainda maior que é, muitas vezes, a não aceitação do proprietário do imóvel para a preservação. Segundo Rick, além dos trâmites do poder público, o problema está também ai: o proprietário por ser dono se acha no direito de fazer o que quiser com seu imóvel, como reformar. Para ele, essa é uma questão onde muitas vezes o poder público não tem força para a posse da propriedade privada para fins de preservação.  
Mais fachadas que resistem | Foto: Rafael Pereira - Crato Em Foco

Enquanto uma solução não é feita, cada vez mais as fachadas estão se perdendo seja pelas reformas e construções dos próprios proprietários, o abandono (onde o prédio muitas vezes é vítima de pichações e colagem de cartazes para anúncio de festas ou propaganda) e o próprio ritmo acelerado da urbanização que ganha espaço diante do antigo; o exemplo é de casas antigas que estão sendo destruídas para dar lugar a uma nova.

O Crato Em Foco teve acesso a várias fachadas antigas onde constatamos que muitas estão perdendo espaço diante da poluição visual, seja na colagem de cartazes e até logomarcas de lojas e empresas da cidade que expõe por cima da antiga parede divulgando sua marca. O exemplo é de uma loja (não citamos o nome) que aproveitou a fachada em arte e detalhes antigos imprimindo sua própria logomarca junto aos desenhos antigos com o mesmo cimento, onde não dá para distinguir o novo do antigo. 

Seguindo pela Rua Almirante Alexandrino, próximo a uma revendedora de motos e ao lado de varias oficinas de veículos, existe um prédio que está abandonado a muito tempo onde carrega as características dos detalhes feito por mestre de obras do passado; além do abandono ele sofre pela ação do tempo, e também por pichações e colagem de cartazes. Mas felizmente algumas ainda estão bem conservadas como as da Praça da Sé e Rua Senador Pompeu, mas outras precisam urgentemente de restauro.

“Eu sinto que a destruição está se dando muito rapidamente, e não sei se tem mais volta”, é com pesar que Rick vê as fachadas desaparecendo e prédios sendo destruídos por pedreiros ou mestres de obra que montam cavaletes em frente às casas, à mando de seu dono, para reformar o imóvel retirando toda a arte da rica arquitetura antiga.
Curador do Museu do Crato, Rick Seabra revela preocupação | Foto: Rafael Pereira - Crato Em Foco

“O Crato já está muito descaracterizado. Não sei o que vai acontecer com essa cidade. Infelizmente as fachadas estão sumindo. Talvez seja uma questão de concentrar forças agora em Barbalha e Santana do Cariri que estão mais intactas; elas vão ser a próximas ‘princesinhas do Cariri’. Infelizmente agente (o Crato) não vai ser mais, porque o Crato já está muito descaracterizado”, lamenta Rick que vê a solução em uma nova reeducação patrimonial fazendo uma reunião com moradores, arquitetos, mestre de obras etc., os chamados, segundo ele, “os G8”, dos mais diversos setores da sociedade cratense para uma conversa urgente definindo essa questão. Ele ver a esperança em uma conversa com os proprietários para uma negociação visando a não destruição ao menos da fachada.

Mas, enquanto sobram preocupações suas, as casas históricas vão perdendo lugar para o moderno que ver na destruição, segundo as novas consciências, a aquisição do novo que é mais sofisticado. Enquanto isso é empreendido, o patrimônio histórico vai aos poucos desaparecendo retirando a importância monumental e autêntica que a cidade do Crato tem para contar os seus netos e bisnetos quem ela foi um dia.
Foto: Rafael Pereira - Crato Em Foco

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O Crato Em Foco é mantido por Robson Roque, estudante de Jornalismo (penúltimo semestre/ UFCA) e pós-graduado em Comunicação e Marketing Em Mídias Digitais. Contato: (88) 9 9714-0886

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