Notícias de Crato, Ceará.

Distrito de Dom Quintino celebra padroeiro com imagem doada por Padre Cícero

Um Presente De Padre Cícero E Uma Historia Pra Contar
Por Rafael Pereira


Conhecida como uma das festas de padroeiro mais tradicionais e festivas do calendário cultural do interior do Crato, a festa de São Sebastião, em Dom Quintino, atrai muita gente. Os dias do mês de janeiro (11 a 20) são estratégicos porque coincidem com as férias que levam muitos parentes que moram fora à visitarem os daqui. E ainda é uma época de chuvas que dá esperança ao agricultor para uma possível boa safra desse início de ano. Portanto ela se torna a identidade cultural desse distrito, que ao mesmo tempo movimenta a economia e promove inesquecíveis encontros.

E por falar em chuvas, secas e crise hídricas dos tempos de hoje, a história dessa rica festa, como a história do lugar, começa exatamente aí nesse ponto duro e triste da realidade nordestina.

É nos anos difíceis do final do século XIX (por volta de 1893/95) que o coronel Raimundo Chico (Raimundo Nonato de Sousa, 1861-1932) se vê abatido por uma profunda lamentação enfrentando um duro período de seca e não vê a hora seu gado morrer e os moradores do sítio Ipueiras irem embora. Não vê outra maneira a não ser recorrer a Deus e aos santos para que seu gado não morra e as plantações do rico sítio herdado da família virem mato seco.

Surge a ideia de interceder para São Sebastião, porque dizem que ele também é o santo protetor das chuvas. O pedido é falado e a promessa é feita ao santo mártir dizendo, não exatamente nesses termos: “Se São Sebastiao mandar chuva próximo ano e meu gado não morrer de fome, prometo que ele será o padroeiro dessas lugar”.

Segundo história oral, imagem de São Sebastião foi doada por Padre Cícero | Foto: Rafael Pereira

Isso é contado por um admirador do distrito que um tempo atrás fez uma pesquisa para compor a história quase oficial de Dom Quintino; Gilson Jacinto, que entrevistou uma antiga moradora, que conta, além desse acontecido, outra sobre uma imagem de madeira “dada de presente pelo padre Cícero”. Gilson mora há muito tempo no distrito e é um dos organizadores da festa e engajado nos trabalhos da Área Pastoral de São Sebastiao (Diocese de Crato), junto com padre Ribeiro Filho (administrador paroquial).

E não é que no ano seguinte ouve um bom inverno e Raimundo Chico teve que cumprir a promessa erguendo uma capelinha tendo como patrono São Sebastião, e feita a primeira festinha no dia 20.

Com o tempo, já no ano de 1896, foi erguida por ele, e com a ajuda dos moradores, uma capela um pouco maior, rica em detalhes sacro-religiosos, (com documento passado em cartório e tudo) que estava localizada onde hoje fica a pracinha – em 1967 foi demolida por conta de um projeto de construção da atual rodovia CE 386 justificando que era pequena para abrigar uma quantidade grande de pessoas nos tempos de festa e missões sendo que atrapalhariam no trânsito futuro de carros e caminhões; daí construíram a atual bem maior, porém perdendo nas características arquitetônicas da outra.

Mas como toda capela, precisa que tenha uma imagem de seu padroeiro. Ainda segundo Gilson, o coronel era muito amigo de padre Cícero. Pediu ao “Padim” que se viajasse para fora trouxesse uma imagem de São Sebastião para ser colocada no altar da igreja.

Padre Cícero realizou seu sonho. Voltando em viagem de Roma (Itália) trouxe de presente uma imagem de madeira de mais ou menos 1:30 m de altura, que segundo dizem, ela é da cidade de Milão, terra do santo mártir italiano (morto nos tempos da era cristã por soldados do império romano), que foi comprovada a pouco tempo por uma restauradora, que segundo Gilson ela confirmou dizendo: “Vocês não sabem o tamanho da preciosidade que vocês tem lá em Dom Quintino!”.

E assim foi dada de presente ao estimado amigo uma imagem de madeira muito bem trabalhada e que serve ainda hoje de relíquia da festa do padroeiro, que esse ano celebra 120 anos desde que a primeira capela foi feita. Desde essa data pra cá, a escultura sempre esteve andando com os fiéis para cima e para baixo, debaixo de chuva e sol, percorrendo comunidades vizinhas ou em casas dos moradores, em um andor bem ornamentado com flores artificiais, carregado com força e fé dos devotos fiéis. E no dia 20 ele é bem preparado com um rico trabalho de ornamentação em uma estrutura feita de ferro para ser novamente carregado pelos fiéis que se reversam de braço em braço percorrendo as ruas do distrito.

Os fieis são dos mais diversos tipos de classe social, cor e idade e muitas promessas foram feitas para o santo que, segundo eles, foram beneficiados das mais diferentes necessidades, seja espiritual, saúde e financeira, ou porque simplesmente gosta de ser fiel. Seus votos são completados também, além da tradicional carreata do dia 10 que abre os festejos e a grande procissão de encerramento, em uma demorada queima de fogos no dia 20, ao meio dia, com os badalos do sino da capela e os gritos estrondosos de alguém no megafone, no alto da torre da igreja, dizendo: “Viva São Sebastião!
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