Notícias de Crato, Ceará.

Garoto de 10 anos é dono de "Museu do Rei do Baião", no distrito Dom Quintino

E AI... VAMOS BRINCAR DE MUSEU? Por Rafael Pereira, do Distrito Notícias
É num pequeno espaço da salinha principal de uma casinha de taipa que Pedro Lucas organiza seu museu. A Rua Auto da Antena ganha ares de ponto turístico ao visitar um pouco da historia de Luiz Gonzaga feito por doações de peças pelos moradores e amigos do pequeno “museólogo” de 10 anos e estudante do quinto ano no Ginásio Raimundo Nonato de Souza. Tudo foi idealizado por ele, mas se divide no cuidado e preparação com um pequeno grupo de “funcionários mirins”, fazendo parte seu primo, Caio Everton, e mais duas crianças.

Abaixo da rua, uma pequena placa feita de pedaços de madeira anuncia, para que não sabe onde é, escrito em letras distorcidas: “Museu de Luiz Gonzaga a 78m” e uma seta aponta para cima. 

Ao subir a exaustosa ladeira em calçamento da rua no distrito de Dom Quinino, nas primeiras casas deparamos com uma casinha torta de taipa, mas muito bem caiada com um grande letreiro com os dizeres de MUSEU DO LUIZ GONZAGA. Logo pra quem chega uma saudação de boas vindas escrita em uma placa de metal de um fogão velho. 



Ainda fora, o que seria uma fonte (sem água) com um pequeno pote de barro deitado e apoiado por um círculo de tijolos. Ao lado, uma capelinha abriga um pequeno Padre Cícero. E na parede de fachada um cartaz escrito com informações pessoais de Luiz dizendo local e data onde ele nasceu. 

Mas a grande surpresa está dentro: peças e mais peças do que seria, segundo o garoto, os objetos pessoais do Rei do Baião que vão desde foices, enxadas, plantadeira de arroz (para os serviços voltados à agricultura), uma radiola, televisão e rádio (o lazer nas horas de folga) e peças de serviços domésticos como lousas, ferro a carvão e muito mais como um abajur velho. 

A atração mais bem interessante, contudo, é uma mesa principal abrigando uma sanfoninha de brinquedo, dois chinelos de couro em cada lado, decorada com um lençol estampado com a foto do sanfoneiro. E na parede diversos quadros tanto de santos como informações da vida do cantor. 

A salinha se torna pequena para abrigar tanta coisa, mas tudo é muito bem zelado e organizado por seus pequenos funcionários e seu avô Antônio, agricultor de 55 anos, que ele o chama de “Papai” que o incentiva muito no cuidado com as peças e o espaço. E os objetos não faltam contando a historia do sanfoneiro mais famoso do Brasil, da cultura nordestina, além dele próprio como fotos da família do menino.

Claro que tudo isso é uma brincadeira. Mas ela começou a dois anos quando visitou o Museu do Gonzagão em Exu, Pernambuco, e em uma música do Rei chamada “Sala de Reboco”. O famoso museu na cidade onde nasceu Gonzaga, foi uma inspiração do garoto para construir uma “sub-sede” no distrito. 

Com o incentivo do avô e da família ele construiu o espaço em uma pequena casa da família com doações de peças dos moradores da localidade e amigos. Ele conta que muitas peças foram oferecidas por mestres da Academia dos Cordelistas do Crato e amantes da cultura. Mas o gosto por Luiz Gonzaga começa muito sedo quando tinha cinco anos ouvindo diversas músicas como Triste Partida, A Vida do Viajante e sua preferida Sala de Reboco. Pergunto o porquê de gasta dele? ele diz que não sabe, só sabe que gosta e pronto.  

Quanto à organização, ele fez um calendário que obedece aos dias e horários das visitas que acontece em alguns dias da semana. E para as doações ele diz que sempre estar recebendo e organiza por escrito cada uma com o nome da pessoa que doou em um pequeno registro de controle que ele chama de “documento do museu”, escrito em boa caligrafia, e diversos papéis como uma espécie de escritura do imóvel, tendo Pedro Lucas como presidente, secretário Caio Everton e demais pequenos auxiliares. A salinha é dividida em pequenas alas com os objetos, de que falei, onde é compreendida cada espaço da vida de Luiz Gonzaga.

O que você quer ser quando crescer? Claro que ele não iria responder outra profissão a não ser a de museólogo, mas que gosta do espaço do museu como um meio de conhecer o passado em que ele completa dizendo: “É muito legal agente juntar essas coisas antigas para as pessoas de hoje saber como era antigamente”. 

Nisso o garoto sabe como ninguém e dar uma aula de valorização da memória para gente grande, onde conta que já recebeu muitas visitas entre elas Dane de Jade, secretária de cultura do Crato, que já adentrou o espaço do museu ficando encantada e convidando o menino a conhecer o da cidade como um modo de incentivo a seguir na carreira.

A imaginação é infinita para quem sabe bem aproveitar. E Pedro Lucas sabe muito bem usufruir criando um espaço vivo de seu fã e ao mesmo tempo valorizando a cultura popular.

Fotos Ricky Seabra e Rafael Pereira.

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